quarta-feira, 4 de dezembro de 2019

Como definir a beleza?


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Enquanto a ética busca o bem e evita o mal, a estética se dedica a buscar a beleza e harmonia e a evitar a feiúra e a desarmonia. O livro do Gênesis assegura que Deus criou bem todas as coisas e mais ainda o ser humano. Os filósofos da Antiguidade Grega costumavam associar a bondade, a beleza e a verdade; eram praticamente termos sinônimos. Algo ou alguém bom era igualmente belo e verdadeiro, e vice-versa.
A estética tem-se dedicado a discutir e estabelecer elementos objetivos e exatos que sirvam como referência irrefutável para determinar se algo ou alguém é belo. Segundo os ensinamentos éticos do filósofo grego Aristóteles, uma atitude era boa e virtuosa quando estava na justa medida entre os dois extremos. A estética vai se apropriar desta definição, estabelecendo que algo ou alguém é belo na justa medida entre os dois extremos.
Para exemplificar: não era belo algo muito baixo ou muito alto, alguém magro demais ou gordo demais, algo muito claro ou muito escuro, alguém com orelhas pequenas demais ou grandes demais. Devido à simetria dos corpos, a harmonia entre as partes também era um forte elemento objetivo e exato para definir algo ou alguém como belo. Era considerada feia a ausência de proporção entre as partes.
Ainda que estes critérios estéticos continuem bastante presentes na atualidade, com o passar do tempo, a sociedade passou a questionar os padrões estabelecidos, a imposição de uma referência única de beleza a partir de uma cultura determinada.
Os modelos passaram a ser mais amplos e inclusivos. A beleza passava a ser subjetiva e relativa, dependendo do ponto de vista, da perspectiva do observador. Também há beleza no que é muito baixo ou alto, em quem é magro ou gordo demais, no que é muito claro ou escuro, em quem tem orelhas pequenas ou grandes demais.
Muitas pessoas - mulheres e homens - sofriam quando o seu corpo não correspondia aos padrões de beleza estabelecidos pela estética. Havia angústia, sofrimento, preconceito, humilhação, rejeição, mutilação etc.
Com o aumento das cirurgias estéticas e dos produtos cosméticos e anabolizantes, as pessoas que não se sentiam enquadradas nos modelos impostos passaram a modificar artificialmente partes do próprio corpo: cabelos, nariz, lábios, cor da pele e dos olhos, estômago, seios, nádegas etc. Algumas vezes a perseguição por ideais estéticos elevados levou as pessoas a graves doenças físicas e psicológicas; houve óbitos em alguns casos.
É muito importante que os pais e educadores acompanhem os seus filhos e alunos na compreensão da relatividade dos padrões estéticos de beleza, e na busca da saudável auto-estima, sem comprometer a saúde do corpo e da mente. É necessário reconciliar a ideia de que a bondade, a beleza e a verdade precisam caminhar juntas, em harmonia.



terça-feira, 3 de dezembro de 2019

Qual é o sentido de utilizar aclamações e cânticos em latim ou grego na Eucaristia?


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Às vezes estamos tão acostumados à nossa Eucaristia dominical ou diária que chegamos a nos esquecer que se trata de uma celebração religiosa antiqüíssima que surgiu num contexto cultural e lingüístico bem diferente do nosso atual.
A civilização greco-romana deixou marcas permanentes na cultural ocidental, mesmo depois que esses impérios deixaram de existir historicamente, sobre tudo graças ao Cristianismo romano, através da sua liturgia que se esparramou pelos quatro cantos do mundo.
Quando o Filho de Deus se fez Homem, nascendo de Santa Maria, Israel estava sob a dominação do Império Romano, que havia sucedido ao grande Império Grego. Neste contexto histórico, geográfico, religioso e cultural, era comum em Israel os idiomas hebraico, grego e latino.
No que se refere às Sagradas Escrituras, o Primeiro Testamento foi escrito em hebraico (depois traduzido ao grego), com alguns livros originalmente já escritos em grego. O Segundo Testamento foi completamente escrito em grego - ainda que o evangelho segundo Mateus, segundo a Tradição da Igreja, originalmente fosse escrito em hebraico. Entre o fim do século IV e começo do século V, os dois testamentos foram traduzidos por São Jerônimo ao idioma latino, na famosa edição chamada Vulgata.
Palavras e expressões importantes nestes idiomas geralmente foram preservadas, pois foi difícil encontrar sinônimos adequados para a tradução nas diversas línguas.
A Igreja Católica Apostólica Romana adotou o latim como seu idioma oficial, já que ele possui uma estrutura gramatical muito precisa que facilita expressar as verdades da fé cristã, sem se prestar a confusões ou problemas de interpretação. Ainda na atualidade, os documentos oficiais da Igreja são originalmente publicados em latim; por isso o título dos documentos está sempre em latim.
Com a crescente separação entre Igreja e Estado nas diversas nações, os idiomas próprios de cada país passaram a ser mais valorizados e preferidos em relação ao latim.
No importante Concílio Ecumênico Vaticano II - celebrado entre os anos 1962 e 1965 - a Igreja aprovou o uso das línguas vernáculas (próprias de cada país) para a celebração dos sacramentos, mesmo conservando a oficialidade do idioma latino. Desde então as aclamações e cânticos durante a Eucaristia começaram a ser traduzidos ou produzidos nos diversos idiomas.
Nas suas atividades e celebrações oficiais, especialmente de caráter internacional, a Igreja utiliza o idioma latino - estudado e utilizado pelo papa, cardeais e pela maioria dos bispos, presbíteros e diáconos - para facilitar a participação ativa dos presentes.
Na atualidade, existem grupos de ministros ordenados e não ordenados - tanto idosos quanto jovens - que demonstram grande interesse por recuperar a utilização do idioma latino (e também do grego), especialmente em contextos celebrativos e sacramentais.
Essa prática é permitida, sempre que os fiéis sejam suficientemente formados e entendam o sentido e o significado de aclamações e cânticos que não pertencem ao seu contexto cultural e lingüístico. A utilização do latim (e do grego) não deve prejudicar a compreensão e a participação dos fiéis durante a Eucaristia, que têm o direito de participar dos mistérios sagrados na sua língua vernácula, como o assegura a Igreja.



segunda-feira, 2 de dezembro de 2019

O que é o "Código de Direito Canônico"?

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Além de ser uma realidade espiritual, a Igreja também é uma realidade humana presente na sociedade mundial e nas diversas nações, com propósitos bem definidos, para os quais apontam todos os seus membros, cada um à sua maneira, e todos os seus recursos humanos e materiais.
Sendo uma instituição internacional e milenar, a Igreja Católica Apostólica Romana possui um conjunto de normas que organiza a sua vida interna e também a sua ação evangelizadora, conservando a sua unidade na diversidade. Recebe o nome de “Código de Direito Canônico”.
Este conjunto de normas se baseia, em primeiríssimo lugar, na Boa Notícia de Jesus Cristo, nas Sagradas Escrituras, nos ensinamentos dos apóstolos. E, com o passar do tempo, diante dos novos contextos e desafios, foram incorporadas novas normas, sempre com o objetivo de conservar a fidelidade da Igreja à missão confiada por Jesus Cristo.
Uma vez que estas normas surgiram de circunstâncias históricas e geográficas específicas, elas foram constantemente revisadas, a fim de que fossem mais abrangentes, menos particulares e mais relevantes, desfazendo-se daquelas que haviam caducado. Serviram de inspiração o direito civil greco-romano e as tradições legislativas das grandes nações.
Os grandes e importantes concílios e sínodos, com suas reflexões e novas sensibilidades, também ajudaram a tornar mais atualizadas as normas da Igreja. O texto do Código de Direito Canônico possui fartas referências aos concílios, sínodos e documentos oficiais da Igreja.
A fim de que as normas sejam compreendidas e aplicadas de modo coerente com a sua intenção original, a Igreja dispõe de organismos oficiais, tanto a nível universal quanto a nível diocesano, compostos por teólogos especialistas em ciências jurídicas, chamados canonistas, nos tribunais eclesiásticos, para assessorar os fiéis em seus legítimos interesses.
O Código de Direito Canônico se refere a questões pastorais e administrativas, tais como: o modo válido para a celebração dos sacramentos da Igreja, os direitos e deveres dos ministros ordenados e não ordenados, a organização das cúrias romana e diocesanas, a abertura e manutenção de dioceses, paróquias, congregações religiosas, movimentos apostólicos, instituições educativas etc.
A edição vigente do Código de Direito Canônico foi promulgada pelo papa São João Paulo II no ano 1983, e serve para a Igreja Católica Apostólica Romana. Para as igrejas de tradição oriental, foi promulgado um código especial no ano 1991.
É sumamente importante que ministros ordenados e não ordenados conheçam o Código de Direito Canônico, entendendo os seus direitos e deveres, e defendam os seus legítimos interesses. É um importante serviço à ação pastoral.



sexta-feira, 29 de novembro de 2019

Como entender o atual fenômeno das migrações internacionais? Como tratar os migrantes?


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As migrações sempre existiram na história da humanidade. Por migrações entendemos o deslocamento de pessoas, famílias e grupos sociais de um lugar a outro, tanto dentro do próprio país como a outra nação. Vale recordar que os Direitos Universais asseguram à pessoa a possibilidade de migrar a outra região conforme os seus legítimos interesses, obrigando os países a acolherem os migrantes, a lhes darem condições de obter cidadania, de serem amparados juridicamente, com direitos e deveres civis.
Pelo geral, ao menos as grandes religiões monoteístas (Judaísmo, Cristianismo e Islamismo), tiveram no passado e ainda têm no presente grandes experiências migratórias, que acabaram despertando nelas uma aguçada sensibilidade pelos migrantes. Importantes personagens nos seus livros sagrados passaram pela experiência do deslocamento e seus infortúnios.
Podemos recordar os patriarcas Abraão, Isaac e Jacó, Moisés e a fuga do Egito, o Desterro ou Exílio na Babilônia, a diáspora dos judeus, cristãos e muçulmanos a diversas regiões do mundo antigo, as viagens missionárias do apóstolo Paulo e seus companheiros etc.
Na atualidade, o fenômeno das migrações internacionais tem-se intensificado por causa da violência política, da perseguição religiosa, da miséria econômica, da falta de oportunidades de desenvolvimento e trabalho, pela realidade da guerra e do tráfico de drogas, entre outros motivos.
O número excessivo de migrantes tem desafiado a capacidade de lhes acolher devidamente, sem descuidar dos direitos dos cidadãos nativos e suas legítimas necessidades, como habitação, alimentação, saúde, educação, trabalho, transporte, segurança etc.
Depois de um período de grandes facilidades migratórias, muitos países na atualidade têm dificultado o ingresso de estrangeiros, até mesmo por razões turísticas, estudantis e trabalhistas. Existe uma tendência cada vez mais crescente de rejeitar os migrantes supostamente para manter os direitos dos cidadãos nativos.
Infelizmente essa atitude tem alimentado o xenofobismo, que é o fechamento na própria cultura nacional, rejeitando a contribuição das pessoas procedentes de outras regiões do mundo, de modo consciente ou inconsciente.
Os cristãos, por razões humanitárias e religiosas, devem acolher os migrantes e trabalhar para que os seus legítimos direitos sejam assegurados, conforme as leis internacionais.
Devem participar ativamente de espaços para discussões das questões migratórias, apoiando políticas públicas em favor dos migrantes, especialmente das crianças, idosos e fisicamente fragilizados, fortalecendo a política internacional e as causas humanitárias em favor dos países em guerra ou que sofreram tragédias naturais.
O Papa Francisco tem insistido bastante no cuidado aos migrantes, recordando o ensinamento de Jesus Cristo: “Fui forasteiro, e me recolhestes” (Mateus 25, 35c).



quinta-feira, 28 de novembro de 2019

Nas suas pesquisas e invenções, as ciências e os cientistas devem ter poder ilimitado?


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A ética é um ramo da Filosofia que se dedica a responder perguntas como estas: “o que é o bem?”, “como alcançá-lo?” e “como evitar o mal?”.
Para atingir os seus elevados propósitos, a ética se baseia na sabedoria acumulada ao longo da história da humanidade, refletindo sobre as suas luzes e sombras, sobre os seus acertos e erros, dialogando com as ciências humanas, como o Direito, a Sociologia, a Psicologia, a Antropologia, a Teologia e a própria Filosofia.
A ética lança o seu olhar para as mais variadas áreas do pensar e do agir humanos: para a economia, para a educação, para a cultura, para a religião, para as ciências, para a tecnologia etc. A ética tem coragem de fazer perguntas incômodas que, muitas vezes, as pessoas e a sociedade não estão dispostas a fazê-lo, ou estão tão distraídas com os afazeres da vida cotidiana, ou estão seduzidas pelos supostos benefícios do progresso da humanidade.
As ciências e os cientistas existem dentro da sociedade humana e devem estar a serviço dela, contribuindo para que ela alcance os seus propósitos, que poderiam ser a busca do bem comum, a defesa e promoção da vida e da dignidade humana, a fraternidade entre as pessoas e os povos, a humanização das estruturas sociais, entre outros.
Na eventualidade de que as ciências e os cientistas, em vez de contribuir, estorvassem a sociedade humana, é extremamente necessário limitar o seu poder e a sua ação. Num passado não muito distante, as pesquisas e invenções das ciências e os cientistas se prestaram para intimidar povos e nações através de armas de destruição em massa, tanto da vida quanto do meio ambiente e do planeta.
A sociedade não quer assistir de mãos atadas a supostos avanços científicos e tecnológicos que, em vez de contribuir para que os seres humanos vivam como irmãos e se ajudem mutuamente, divide, separa, confunde, leva ao materialismo consumista, ignorando a escassez dos recursos naturais, substituindo o trabalho humano pelas máquinas, favorecendo o desemprego e a miséria, manipulando indevidamente a vida vegetal e animal e o meio ambiente, interferindo na temperatura do planeta etc.
Espera-se dos cidadãos que acompanhem e pressionem as pessoas que lhes representam no exercício do poder, a fim de que criem leis e as apliquem no sentido de limitar as pesquisas e invenções das ciências e dos cientistas, pois nem toda produção científica interessa aos cidadãos e a sociedade em geral. As ciências e os cientistas devem ser responsáveis pelo que produzem, já que geram conseqüências que afetam o presente e o futuro da humanidade e do planeta.
Sabemos que, infelizmente, as ciências não são neutras; pelo contrário, elas servem aos propósitos das grandes corporações mundiais que, fazendo investimentos milionários em pesquisas e invenções, buscam quase exclusivamente vantagens econômicas, políticas e sociais.



quarta-feira, 27 de novembro de 2019

Como transformar nossas famílias em "igrejas domésticas", em "santuários da vida"?


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Deus ama as famílias. Ele mesmo é uma família divina, formada pelo Pai-Criador, pelo Filho-Redentor e pelo Espírito Santo-Consolador. É uma família onde reina o amor, a cumplicidade, a ordem, a doação, a abertura, a solidariedade, a co-responsabilidade, a autenticidade, a simplicidade, a comunhão.
Este amor divino pelas famílias chegou ao ponto de Deus mesmo querer, no mistério da encarnação de Deus Filho feito Homem, formar uma família com a Mãe Maria e o Pai adotivo José, no lar feliz e sagrado em Nazaré da Galileia.
Por estas razões e muitas outras, torna-se evidente a imensa dignidade da família, que não limita cada um dos seus membros, mas, muito pelo contrário, permite aos seus integrantes crescer na sua abertura ao outro e na capacidade de amar até as últimas conseqüências, alcançando a maturidade e a felicidade.
A família realmente é uma Igreja doméstica e um Santuário da vida. Se a família deixasse de sê-lo, estaria frustrando o seu próprio objetivo e inspiração. Pois a família é mais que um conglomerado de pessoas que vivem juntas por razões meramente econômicas, regida por um contrato civil que impõe direitos e deveres.
Cada membro da família precisa se empenhar de verdade para que, diante de Deus e da sociedade, seja cada vez mais evidente a sua realidade como Igreja doméstica e como Santuário da Vida. A mãe, o pai, as filhas e filhos, as irmãs e irmãos, as tias e tios, as avós e avôs, as sobrinhas e sobrinhos, as netas e netos - definitivamente, todos - precisam estar comprometidos com a identidade profunda da família. Não é possível improvisar. Não é um jogo, algo sem importância, secundário.
A família é cada vez mais uma Igreja doméstica quando os seus membros estão comprometidos com a oração pessoal e também familiar, ao redor da Palavra de Deus, lida e meditada - fortalecida pela oração comunitária e litúrgica, especialmente no sacramento da Eucaristia - ao iniciar e finalizar o dia, antes das refeições, nas bênçãos dos pais e avós aos filhos e netos, nos objetos religiosos presentes nos ambientes da casa (crucifixo, imagens, quadros, oratório familiar) e, principalmente, no amor e respeito entre os seus membros, na capacidade de compreender e perdoar, na co-responsabilidade nas tarefas domésticas, na alegria da simplicidade etc.
A família é cada vez mais um Santuário da vida quando os seus membros estão comprometidos com a maternidade e paternidade responsáveis, com a educação humano-cristã dos seus membros, com a devida honra ao pai e à mãe, na atenção preferencial aos doentes e idosos, na valorização da pessoa mais que das tecnologias, no cuidado aos animais de estimação e às plantas e jardins, na abertura da caridade aos amigos e vizinhos, especialmente as pessoas mais carentes e necessitadas, na defesa da vida desde a sua etapa intra-uterina até a morte natural.
Olhando o exemplo da família divina - o Pai, o Filho e o Espírito Santo - e a Sagrada Família de Nazaré - Jesus, Maria e José - esperamos que todos os cristãos se empenhem para apoiar às famílias para que sejam, de verdade e decididamente, Igrejas domésticas e Santuários da vida, esperança do mundo.



terça-feira, 26 de novembro de 2019

Por que a preparação para o Natal (Advento) não é um tempo litúrgico festivo, mas penitencial?


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Os cristãos escolheram a data 25 de dezembro - dia mais claro do ano no hemisfério norte, quando a antiga cultura greco-romana celebrava o Sol invicto - para fazer a memória do nascimento de Deus Filho feito Homem, Jesus.
Trata-se da segunda mais importante festa da liturgia cristã, depois da ressurreição, na Páscoa. É uma festa tão solene, que tem duração de oito dias, seguidos de algumas semanas, até a Solenidade do Batismo do Senhor.
Quatro domingos antes do Natal, os cristãos iniciam a sua preparação espiritual, que justamente inaugura um novo Ano Litúrgico. Esse tempo de preparação recebe o nome de Advento, uma palavra que significa chegada.
A espiritualidade desse tempo litúrgico é penitencial, reservando a alegria e o clima festivo para a solenidade do Natal. Tudo na liturgia convida à reflexão e à conversão pessoal, familiar, comunitária e social: a cor roxa dos ornamentos e vestimentas, a ausência do Hino de Louvor, a ausência de flores, os cânticos mais suaves em vez de eufóricos, os instrumentos menos ruidosos etc.
O tempo litúrgico do Advento está organizado em duas etapas distintas e complementares: antes e depois do dia 16 de dezembro. Na primeira etapa, mais longa que a segunda, reflexiona-se sobre a segunda vinda de Jesus Cristo, revestido de glória, para julgar os vivos e os mortos, e, ao mesmo tempo, recorda-se a promessa de Deus através dos profetas de enviar o Messias Salvador, cuja vinda deveria ser preparada através da penitência e conversão.
A segunda etapa do tempo do Advento coincide com os oitos dias anteriores ao Natal, nos quais se reflete sobre os acontecimentos que precederam o nascimento de Deus Filho, voltando o coração para a Virgem Maria e o carpinteiro José, homem justo.
Merecem destaque a coroa do Advento e o terceiro domingo. Para marcar a sucessão das quatro semanas preparatórias, as comunidades - e algumas famílias - enfeitam quatro grandes velas e as acendem solenemente, uma a cada semana, na intenção de que se dissipem as trevas do mundo e dos corações com a claridade do Messias Salvador. As cores das velas são: primeiro a verde, depois a vermelha, logo a roxa e, finalmente, a branca.
O terceiro domingo recebe o nome de “Gaudete”, que significa alegria. É especial porque recorda à comunidade dos fiéis a proximidade do nascimento do Messias Salvador. Ainda que não se entoe o Hino de Louvor nem haja flores, a alegria se expressa através da cor litúrgica rosa presente nos ornamentos e vestimentas.
A Igreja orienta que os fiéis celebrem o perdão dos seus pecados através do sacramento da Reconciliação ao menos uma vez por ano, preparando-se para a solenidade da ressurreição de Jesus, na Páscoa. Entretanto, devido à dimensão penitencial do tempo do Advento, a Igreja recomenda aos fiéis que, chegando o final do ano e refletindo sobre as vivências e realizações, igualmente busquem o perdão sacramental, para que o coração seja um lugar digno para acolher ao Menino Deus que nasce.
Vivamos intensamente o tempo litúrgico do Advento, preparando-nos de modo pessoal, familiar, comunitário e social. Valorizemos a novena de Natal, preferencialmente rezada em família e pelas casas, como Igreja evangelizadora em saída, aproveitando a sensibilidade espiritual das pessoas e das famílias por ocasião do fim do ano.