Este é um blog de bate-papo entre o Pe. Kleber Luiz Cardoso, missionário estigmatino, e os fiéis católicos, com perguntas e respostas diárias. Participe.
Diferente do saudável e recomendado
Diálogo Inter-religioso, o sincretismo é assumir ensinamentos e práticas de
outras religiões na própria experiência religiosa, misturando tradições e
confundindo a fé das pessoas com elementos incompatíveis, sem coerência.
O saudável e recomendável Diálogo
Inter-religioso acontece, de modo pessoal e institucional, na abertura para
escutar as diferentes tradições religiosas que, ao longo da História, trataram
de dar uma resposta às perguntas existenciais que se referem
à transcendência da vida. É a capacidade para apresentar as próprias
convicções religiosas sem as impor aos demais, aprendendo das diferenças e
convivendo com elas, sem utilizar as religiões como pretexto para a violência.
É colocar o ser humano e a vida como base para a convivência pacífica e
respeitosa, com consequências positivas para a vida social e para os grandes
problemas humanitários e ecológicos.
A Sagrada Escritura ocupa um importante
espaço na Eucaristia. A ela é dedicada a Liturgia da Palavra, que compreende
leitura(s) do Primeiro e/ou do Segundo Testamento, além de um salmo e de leitura
de um dos Evangelhos. Também estão incluídas a Homilia e a Oração dos Fiéis.
A Homilia é uma conversa familiar na qual
aquele que preside a assembleia dos fiéis ajuda na reflexão sobre as leituras
proclamadas, ressaltando palavras, expressões, frases, personagens, lugares e
atitudes, recuperando o contexto no qual os textos foram originalmente escritos
– localizando-os na História da Salvação - e buscando a sua relevância e os
seus apelos para a assembleia dos fiéis na realidade em que ela está vivendo.
Deve estar em comunhão com a Tradição e o Magistério da Igreja. Segundo o Papa
Francisco, na exortação apostólica Evangelii Gaudium, a Homilia deve ser breve
(parágrafo 138). Numa Audiência Geral, em Roma, em fevereiro de 2018, o papa
afirmou que a Homilia deve ser breve, bem preparada, sem exceder 10 minutos.
Os judeus, reconhecendo que tudo
pertence a Deus e agradecendo pelas suas bênçãos abundantes, reservavam os
primeiros e melhores frutos da colheita, os bezerros mais fortes e saudáveis do
rebanho, e os consagravam a Deus, entregando-os aos sacerdotes como uma oferta
de amor. Mais tarde, com o surgimento da dinheiro, também era entregue uma
parte de seus salários. Os sacerdotes utilizavam essas ofertas e dinheiro para
ajudar as pessoas mais necessitadas, para realizar a manutenção do templo e
para o seu próprio sustento. Essa prática dos judeus se chamava dízimo.
A terceira Pessoa da Santíssima
Trindade, no Primeiro Testamento é chamada em hebraico “ruah” - sopro, hálito -
e, enquanto o Pai criava o mundo com Sabedoria, Ela repousava sobre as águas.
Os profetas falaram através d’Ela. Chegada a plenitude dos tempos, pelo “sim”
de Maria, o Filho foi gerado através d’Ela. No Segundo Testamento é chamada em
grego de “pneuma” – dinamismo, ímpeto. Ela foi enviada aos fiéis pelo Pai e
pelo Filho para completar a obra da redenção através da Igreja. O Espírito Santo é esse
sopro, hálito, dinamismo, ímpeto que procede do Pai e do Filho e é enviado aos
fiéis.
Por volta do ano 1967, nos Estados
Unidos, começou a surgir entre leigos estudantes e professores universitários e
sacerdotes da Igreja Católica Apostólica Romana, uma experiência ecumênica de
diálogo e oração com fiéis e pastores da Igreja Episcopal Anglicana, que logo
foi-se espalhando a outros países. Essa experiência se inspirou no movimento
pentecostal e neo-pentecostal surgidos em igrejas protestantes dos Estados
Unidos. Buscou-se conservar a identidade católica (como a valorização dos
sacramentos e a devoção a Maria) e foi introduzido o destaque ao Espírito Santo
e aos Seus dons e ministérios (como a oração em distintas línguas e a cura e
libertação). Esse movimento amplamente presente na Igreja
Católica, de inspiração pentecostal e neo-pentecostal, se chama RCC - Renovação Carismática Católica.
As orações diárias oficiais da Igreja
Católica são: em primeiro lugar, a Eucaristia e, em segundo lugar, a Liturgia
das Horas. Através delas os fiéis santificam o Nome de Deus e, ao mesmo tempo,
vão sendo santificados por Deus. Apesar das diferenças de idiomas e de
fuso-horário, os fiéis rezam a partir dos mesmos textos bíblicos, acompanhando
os diferentes tempos litúrgicos e o calendário de solenidades e festas da
Igreja. Na Liturgia das Horas, os fiéis cantam ou recitam hinos e salmos e
cânticos do Primeiro e do Segundo Testamentos, principalmente pela manhã
(Laudes), pela tarde (Vésperas) e pela noite (Completas). A Igreja recomenda a
todos os fiéis que rezem a Liturgia das Horas. Os fiéis que assumiram
publicamente o compromisso de rezar a Liturgia das Horas todos os dias são aqueles que
receberam o sacramento da Ordem (diáconos transitórios e permanentes, sacerdotes
e bispos).
Para que Deus se comunique ao homem
completo (inteligência, afetividade e sentidos), a Igreja utiliza as cores
litúrgicas (branco, vermelho, roxo e verde) para ajudar aos fiéis a acompanhar
a mudança dos tempos litúrgicos (Advento, Quaresma, Páscoa, Comum) e expressar
a identidade do mistério celebrado (divindade, santidade, ministério,
martírio). A cor litúrgica utilizada pela Igreja para celebrar a festa
dos apóstolos de Jesus é o vermelho.
O Papa Francisco, na sua tríplice missão
de governar, ensinar e santificar aos fiéis, escreveu 5 documentos, sendo duas
encíclicas e três exortações apostólicas. As encíclicas são “Lumen fidei” (“Luz
da fé”, 2013) e “Laudato si’” ("Louvado seja", 2015). As exortações
apostólicas são “Evangelii gaudium” (“Alegria do Evangelho”, 2013), “Amoris
laetitia” (“Alegria do amor”, 2016) e a mais recente foi publicada em 19 de
março de 2018. Ela se chama "Gaudete
et exsultate" (Alegrai-vos e exultai!).
Os ritos iniciais são a primeira das quatro
partes do Sacramento da Eucaristia.
Compreende a saudação inicial, o ato
penitencial e a oração do dia. Nos domingos e solenidades, inclui-se também o
hino de louvor (glória).
A importância dos ritos iniciais está
em ajudar os fiéis a que se congreguem, sintam-se família de Deus reunida,
sintam-se Seu povo amado.
Os ritos iniciais se revestem de muita importância especialmente nestes tempos
de individualismo e isolamentos. É uma tarefa urgente criar condições e gerar
um ambiente comunitário para que os fiéis se interajam mutuamente e se sintam
importantes e valorizados uns pelos outros, num clima de fraternidade, que
tantas e tantas vezes não conseguem experimentar na sociedade, no dia-a-dia,
onde reinam a frieza e a indiferença.
Propiciar a comunhão dos fiéis é um compromisso de todos: desde os ministros da
acolhida (que recebem os fiéis nas portas, dando-lhes as boas-vindas e,
eventualmente, conseguindo-lhes um lugar para se sentar - especialmente às
pessoas com necessidades especiais), o ministro responsável pelo comentário inicial
(olhando os fiéis nos olhos, com um sorriso nos lábios, boa pronunciação das
palavras e frases, introduzindo a assembleia nos ritos que estão a ponto de
começar), os ministros da música (com canções alegres ou suaves bem preparadas
instrumental e vocalmente) e o ministro ordenado (equilibrando qualidades
humanas e espirituais para acolher e reunir o rebanho de Jesus Cristo que está
presidindo, preparando os fiéis para a Liturgia da Palavra e a Liturgia
Eucarística).
Em uma palavra: todos somos responsáveis
para que os Ritos Iniciais do Sacramento da Eucaristia alcancem o seu sublime
objetivo de transformar uma multidão de pessoas em povo de Deus, em Assembleia
santa, em Corpo Místico de Cristo. E esses critérios podem e devem ser
repetidos em outros sacramentos e demais atividades promovidas pela Igreja.
Um líder cristão é - em primeiro lugar - um
discípulo de Jesus Cristo, um membro da Igreja, e exerce essa liderança como
uma expressão do seu amor e agradecimento a Deus e um serviço responsável e
generoso aos seus irmãos.
Mais que “fazer” e “parecer” o líder
cristão “é”, pois sabe que o seu serviço só tem valor se for exercido como
testemunho pessoal de tudo o que acredita, e as suas atitudes refletem o que
pensa e diz.
Um líder cristão - ainda que possa aprender
muito com cursos e livros de treinamentos oferecidos por experientes líderes
sociais e institucionais - tem como principal referência da sua liderança a
pessoa de Jesus Cristo, na sua relação com os seguidores, discípulos e
apóstolos. Por isso, um líder cristão é uma pessoa de oração, que alimenta uma
espiritualidade de comunhão com Deus, com as autoridades da Igreja e com os
seus irmãos de fé. Tem vida sacramental e lê e medita as Sagradas Escrituras.
Toma a iniciativa para aprender mais e
servir melhor e mais adequadamente. Sabe escutar mais e falar menos. Sabe
motivar e envolver as pessoas para que participem mais ativamente da vida da
Igreja, em comunhão entre as comunidades, pastorais e movimentos. É obediente
às recomendações oficiais da Igreja e manifesta com prazer o seu apreço pelo
Papa, pelos bispos e pelos padres e diáconos.
Um bom líder estimula o bom entendimento e
a reconciliação entre os irmãos de comunidade, e está sempre atento àqueles que
enfrentam dificuldades pessoais e familiares, motivando a comunidade para a
caridade fraterna. É uma pessoa generosa e trabalhadora, criativa e organizada,
alegre e disponível. Um bom líder corta relações com as
fofocas, com o autoritarismo, com a superficialidade, com a autopromoção, com os
privilégios etc.
Alguns cristãos têm uma liderança nata, mas
a grande maioria dos líderes cristãos se formam através do compromisso com a
santidade e com a excelência, sempre em comunhão.
A felicidade é uma sensação que nós seres
humanos temos quando estamos na companhia das pessoas que amamos e que nos
amam, quando partilhamos conhecimentos e habilidades com as pessoas, quando
realizamos atividades que distraem e relaxam, quando alcançamos os resultados
desejados, quando chegamos a ser tudo o que somos capazes, quando superamos
medos e traumas, quando expandimos os sentimentos e nos congregamos em
fraternidade, quando fazemos as pessoas e o mundo melhores etc.
Nascemos para ser felizes, realizando
nossas capacidades físicas, psicológicas e espirituais. A felicidade precisa
ser experimentada durante o caminho e não só na chegada.
Devemos investir todos os nossos recursos para alcançar a felicidade e
mantê-la, mesmo nos momentos de tribulações e dificuldades, de doenças e morte.
É evidente que, para alcançar e manter
assim a felicidade, é preciso se projetar para além do estreito horizonte do
espaço e do tempo, é preciso estar em comunhão de amor com Quem nos criou, Quem
nos redimiu, e Quem nos santifica.
A felicidade é o resultado de um esforço
pessoal, mas também de um conjunto de decisões sociais, políticas e econômicas
que afetam os cidadãos e que facilitam ou prejudicam o alcance da felicidade.
Ser feliz não significa estar sorrindo a
todo momento nem dar gargalhadas - ainda que sejam manifestações de pessoas
felizes. Uma pessoa pode experimentar a felicidade sem euforia, especialmente
em momentos difíceis.
Não devemos nos acostumar a viver sem felicidade. Deus deseja que sejamos
felizes - não de modo egoísta ou individualista - mas na busca pela felicidade
coletiva. Ninguém tem o direito de atrapalhar a felicidade dos outros.
Vivamos felizes no conhecimento da Vontade de Deus e na sua realização.
A Igreja (palavra que vem do grego e
significa “assembleia") de Jesus Cristo é Católica (também do grego,
significa “universal”).
Ela é conformada pelas mulheres e homens
que professam a fé dos apóstolos e que seguem a Jesus Cristo como fiéis leigos,
consagrados, diáconos, presbíteros, bispos e cardeais, unidos ao bispo de Roma,
chamado Papa.
A Igreja Católica está presente em todos os continentes do mundo, tão
marcadamente diversos e ricos em culturas, idiomas, tradições, realidades
religiosas, sociais, políticas e econômicas, desenvolvimento humano etc.
Anunciando a mesma Boa Notícia entre
pessoas e povos tão variados, a Igreja, ao mesmo tempo, enriquece as diferentes
tradições com a luz da fé, e também é enriquecida com a contribuição das
culturas locais e da reflexão da mensagem de Jesus Cristo à luz das alegrias e
tristezas, esperanças e aspirações das diversas nações.
A América Latina foi sumamente enriquecida
com a chegada do Evangelho através dos colonizadores portugueses e espanhóis no
final do século XV. É verdade que muitas vezes os povos originários não foram
devidamente respeitados e quase sempre oprimidos e dizimados. Alguns povos
forçosamente trazidos ao nosso continente também foram maltratados e sofreram
crimes contra a humanidade.
Por sua enorme riqueza natural, a América Latina foi massacrada, violentada,
roubada e devastada, tanto no passado quanto num passado não muito distante,
tanto por povos estrangeiros quanto pelos próprios habitantes.
Com uma fé admirável, os católicos latino-americanos sempre buscaram acolher os
ensinamentos da Igreja Universal conservando as suas raízes e tradições
culturais - sempre que não eram contrárias nem contraditórias com o Evangelho
de Jesus Cristo.
A produção teológica e a reflexão da
Palavra de Deus a partir da realidade do nosso continente sempre foram
acompanhadas pela Igreja Universal e colocadas à sua disposição.
Merecem destaque as cinco conferências do episcopado latino-americano e
caribenho no Rio de Janeiro, Brasil (1955), em Medellín, Colômbia (1968), em
Puebla de los Ángeles, México (1979), em Santo Domingo, República Dominicana
(1992), e em Aparecida, Brasil (2007).
Vale lembrar que o atual Papa da Igreja é o
latino-americano Jorge Bergoglio, que foi cardeal de Buenos Aires, Argentina.
Atualmente ele enriquece a Igreja Universal com as referências teológicas do
nosso continente.
De tal modo que os nossos católicos latino-americanos não sentem a necessidade
de abandonar a sua legítima tradição e caminhada cristã para impor a cultura
religiosa europeia e romana. Aqui vivemos nossa catolicidade de um modo
latino-americano, nem melhor nem pior que os demais povos e continentes, mas
diferente e original.
A Igreja é a comunidade das mulheres e
homens que acreditam que Jesus é o Filho único de Deus, que se fez Homem para a
salvação da humanidade através da Sua morte e ressurreição, e é reunida e
conduzida pelo Espírito Santo enviado por Deus Pai e Deus Filho. Através do anúncio da Boa Notícia
e do sacramento do Batismo, a Igreja gera mulheres e homens novos, filhas e
filhos de Deus. A Igreja acompanha os fiéis e os
alimenta com o Pão Eucarístico e com o Pão da Palavra de Deus, purificando-os
pela penitência através do sacramento da Reconciliação.
Por gerar, acompanhar, alimentar e
purificar, a Igreja recebe o título de Mãe e Mestra, inspirando-se na Mãe de
Jesus, Santa Maria.
O Cristianismo é uma das tantas religiões presentes no mundo, e o Catolicismo é
uma das tantas igrejas cristãs. Além disso, há mulheres e homens que se
declaram ateus ou que vivem a sua fé sem se vincular de modo confessional a
nenhuma religião ou igreja.
A Igreja Católica possui uma experiência
acumulada de dois mil anos a respeito da vida conjugal e da educação aos
filhos. No anúncio da Boa Notícia, a Igreja ensina a “honrar pai e mãe”, a “não
cometer adultério”, a “não desejar a mulher do próximo / o homem da próxima”.
Para o sacramento do Matrimônio, a Igreja
oferece uma formação pré-matrimonial, preparando a mulher e o homem para os
compromissos da vida conjugal conforme os ensinamentos de Jesus Cristo. Além
disso, a Igreja possui pastorais e movimentos dedicados ao acompanhamento dos
casais, fortalecendo o seu compromisso cristão e a sua espiritualidade.
Para o sacramento do Batismo, da Eucaristia e da Confirmação, a Igreja oferece
orientações às mães e pais para que acompanhem e favoreçam o desenvolvimento
das suas filhas e filhos como seres humanos e como filhos de Deus. Além disso,
a Igreja possui Catequese, pastorais e movimentos dedicados ao acompanhamento
das crianças, adolescentes e jovens - além das instituições educativas de
inspiração católica (escolas, colégios, universidades etc).
Através do sacramento da Reconciliação e da
direção/orientação espiritual, tanto as esposas e esposos quanto os pais e
filhos têm a oportunidade de renovar os seus compromissos e propósitos depois
da experiência de fraqueza e limitação.
A Igreja recebeu de Jesus Cristo - e para
isso ela é fortalecida pelo Espírito Santo - a missão de anunciar a Boa Notícia
às mulheres e homens de todas as nações, não somente aos cristãos.
Essa missão é cumprida pela Igreja de maneira respeitosa, pois ela defende o
direito das pessoas a respeito da vida conjugal e da educação dos filhos
segundo a reta consciência. A Igreja entende que o Estado é leigo e, justamente
por isso, também espera que o Estado respeite e permita que ela continue
propondo a Boa Notícia da família às mulheres e homens.
O dinheiro foi uma
invenção humana para substituir as antigas práticas comerciais baseadas na troca
de mercadorias e produtos, facilitando a sua compra e venda.
Para a própria
subsistência e também para a da sua família, as mulheres e homens precisam do
dinheiro, honestamente obtido pelo trabalho realizado ou pelo serviço
oferecido.
Para que Deus “dê o pão de cada dia”, a pessoa precisa exercer alguma atividade
para gerar renda e, ao mesmo tempo, permitir o desenvolvimento da sociedade na
administração dos bens públicos.
Na realidade, o
dinheiro nunca substitui a Deus, que é infinitamente superior. Mas as mulheres
e homens podem chegar a esquecer o valor que têm em si mesmos, e acreditar que
só vão ter reconhecida a sua importância pelos demais através do seu poder
aquisitivo e pelos bens que possuem. E, no cúmulo desse raciocínio, absolutizam
o dinheiro e são capazes de fazer qualquer coisa para obtê-lo, abrindo mão dos
valores éticos e morais que sustentam a convivência social.
As mulheres e homens que absolutizam o dinheiro acreditam que tudo e todos
estão à venda e costumam não respeitar nem obedecer as leis e as autoridades.
Também é possível que
a suposta segurança que os bens materiais obtidos pelo dinheiro oferecem
distancie as pessoas de Deus. Elas pensam que já não precisam da Graça e dos
favores divinos, porque supostamente o dinheiro que têm pode comprar tudo o que
elas precisam.
Especificamente na vivência e na prática religiosas, quem absolutiza o dinheiro
menospreza as relações interpessoais baseadas na gratuidade e na generosidade.
Considerando que o seu “tempo é dinheiro”, acredita que não vale à pena gastar
tempo com pessoas que pouco ou nada têm a oferecer materialmente. Prefere
festas, eventos sociais e locais comerciais a participar de celebrações e
eventos comunitários. Tem resistência a partilhar os bens materiais e considera
as pessoas pobres preguiçosas, acomodadas e incômodas.
Por isso, realmente é um perigo absolutizar o dinheiro. Quase sempre quem o faz
se afasta dos valores do Reino de Deus e dos ensinamentos essenciais de Jesus
Cristo e da Igreja. Não é à toa que o amor ao dinheiro é considerado uma
idolatria.
As mulheres e os homens compreenderam que
foram criados sexuados para que pudessem crescer e se multiplicar, povoando a
terra e submetendo-a, conforme a vontade do Criador. Deixando pai e mãe para se
unirem e formarem uma só carne, a mulher e homem - abençoados por Deus -
gerariam novas vidas através da intimidade sexual.
Diferente dos demais animais - que têm a
sua sexualidade limitada à dimensão genital, instintiva e procriadora -, a
mulher e o homem têm a racionalidade, a vontade, a liberdade e, principalmente,
a capacidade de amar. De tal modo que a sexualidade humana vai associada à
afetividade.
O sexto mandamento - “Não pecarás contra a
castidade” - compromete o ser humano com o desenvolvimento e vivência plena da
própria sexualidade, ajudando-o a dominar a dimensão meramente instintiva.
É sabido por todos que uma das
características da cultura contemporânea é o hedonismo, ou seja, a busca da
satisfação sexual como um valor em si mesmo, sem restrições nem limites. São
consequências do hedonismo: a maternidade/paternidade irresponsável, o aborto,
as doenças sexualmente transmissíveis, a prostituição, a indústria
pornográfica, o tráfico de pessoas, a pedofilia, a sedução de menores, as
infidelidades conjugais, a união livre etc.
A fim de preservar o ser humano e a
sociedade em geral das consequências terríveis do hedonismo, Deus se oferece
para caminhar ao seu lado e ajudá-lo no autodomínio como expressão do amor
próprio e aos demais.
As primeiras comunidades cristãs
compreenderam que o Espírito Santo habitava o corpo dos fiéis, tornando-os
templos e moradas d’Ele.
Assim, é preciso que as mães e pais
(primeiros responsáveis em transmitir a fé aos filhos) e catequistas ensinem às
crianças, adolescentes e jovens a glorificar a Deus também através da vivência
plena da própria sexualidade, afinal eles são imagem e semelhança do Criador,
foram redimidas pelo Salvador, e são habitadas pelo Santificador.
Também devem viver a castidade as pessoas solteiras, as casadas, as viúvas, as
consagradas, os ministros ordenados, cada qual conforme o seu estado de vida e
vocação. Devem viver a castidade nos atos, mas também nos pensamentos e nas
palavras.
No caminho da santidade, as mulheres e
homens recebem de Deus a ajuda necessária por meio da oração constante e dos
sacramentos, especialmente a Eucaristia e a Reconciliação.
“Tive fome e me deram
de comer. Tive sede e me deram de beber. Era forasteiro e me recolheram. Estive
nu e me vestiram, doente e me visitaram, preso e vieram me ver [...] Cada vez
que o fizeram a um desses meus irmãos mais pequeninos, a mim o fizeram” (Mateus
25, 35-36.40)
O cristão reconhece
nas pessoas necessitadas o próprio Cristo que - de uma maneira misteriosa, mas
real - se identifica com todo e cada ser humano (pelo mistério da Encarnação,
Deus Filho se fez Homem e se uniu à humanidade de modo definitivo),
especialmente com as pessoas mais necessitadas.
O cristão se esforça
para ser outro Cristo, para viver como Ele viveu e ter os mesmos sentimentos,
pensamentos e atitudes d’Ele.
Durante a Sua vida terrena e Seu ministério público, Cristo se aproximou das
pessoas mais necessitadas, relacionou-se com elas, tocou-as, conversou com
elas, partilhou alimentos com elas, defendeu-as, anunciou-lhes a Boa Notícia de
Deus, afirmou que o Reino de Deus pertence aos pobres.
Os apóstolos e os
discípulos de Cristo compreenderam muito bem o testemunho d’Ele e os Seus
ensinamentos. O Segundo Testamento narra diversas ações
de Cristo e das primeiras comunidades cristãs a favor das pessoas necessitadas,
no sentido de promover a sua dignidade, acompanhando-as sem substituí-las.
Os moradores de rua se enquadram no imenso e diversificado grupo das pessoas
necessitadas.
Vários fatores podem determinar que pessoas (ou mesmo famílias inteiras) passem
a morar nas ruas ou continuem nessa situação: migração, êxodo rural,
desestruturação e degradação das famílias, desemprego, miséria, deficiente
educação básica e profissional, consumo de drogas lícitas e ilícitas,
criminalidade, indiferença social, discriminação, doenças degenerativas,
abandono social, escassos investimentos em projetos habitacionais etc.
Sem deixar de anunciar a Boa Notícia de
Jesus Cristo de modo direto, os cristãos evangelizam os moradores de rua no
compromisso pela promoção da sua dignidade, defendendo os seus direitos junto à
sociedade e aos seus representantes e dirigentes sociais, apresentando projetos
e participando deles ativamente, facilitando o regresso às suas famílias e
cidades de origem, oferecendo-lhes refúgios em tempos climáticos adversos,
mobilizando a sociedade para conseguir-lhes e distribuir-lhes alimentos, agasalhos,
cobertores, zelando pela sua segurança e integridade física,
possibilitando-lhes meios para higiene pessoal, tratamento de saúde e
administração de remédios, disponibilizando casas de recuperação para suspensão
do consumo de drogas etc.
Os cristãos também fazem o necessário
diálogo com a iniciativa pública e privada para que os moradores de rua recebam
educação básica e profissional, possam se organizar para desenvolver atividades
que gerem renda, possam ingressar em projetos habitacionais.
Estes e muitos outros trabalhos são realizados pelos cristãos junto aos
moradores de rua, especialmente com as crianças, os idosos e os doentes.
Jesus - e a Igreja, Corpo Místico d’Ele -
quer que as mulheres e homens Lhe conheçam e Lhe amem e, como consequência
desse conhecimento e amor, cheguem a Lhe servir nas pessoas, especialmente as
mais necessitadas, tanto na vida interna da Igreja quanto na transformação
da sociedade conforme os valores do Reino de Deus.
Jesus era chamado de Mestre, de Rabi, de
Rabuní. E realmente as pessoas que acolheram os ensinamentos d’Ele cresceram
exponencialmente tanto como seres humanos quanto como filhas de Deus.
Jesus dedicou grande parte da vida pública
d’Ele à tarefa de preparar os seus seguidores, a fim de que, pela transformação
da sua mente e coração, eles pudessem contribuir na expansão e no crescimento
do Reino de Deus entre as mulheres e homens.
Antes de chegar a ser apóstolos, o famoso
grupo dos Doze precisou aprender os valores do Reino de Deus de maneira teórica
e prática, e receber orientações bastante precisas sobre a sua implantação
entre as pessoas.
Jesus não foi - e a Igreja tampouco deve
ser - irresponsável enviando seguidores sem preparação para a importante missão
evangelizadora. Antes - e também durante - o exercício do ministério os
apóstolos foram devidamente instruídos, primeiro pelo próprio
Jesus e, em seguida, pelo Espírito Santo Paráclito.
De tal modo que não convém de modo algum
que um cristão comece a exercer apostolados em nome de Jesus Cristo e da Igreja
sem uma suficiente e profunda experiência de conhecimento e de amor.
Quando esse critério não é devidamente
realizado, muitos contra-testemunhos são observados, gerando escândalos e
afastando as pessoas tanto de Jesus quanto da Igreja.
Claro, a espiritualidade e a formação são
permanentes e constantes no processo evangelizador; mas isso não pode ser uma
desculpa para confiar importantes ministérios a cristãos sem preparação.
Certamente existem muitas e boas exceções -
e louvado seja Deus por elas. Mas lamentavelmente as pessoas costumam ter uma
imagem negativa dos funcionários, principalmente aqueles que trabalham em
instituições públicas, como hospitais, escolas etc; costumam ser muito
criticados aqueles que têm contato com as pessoas, especialmente na secretaria
e atendimento.
Geralmente as críticas se referem ao modo
como tratam as pessoas: de maneira formal, impessoal, sem contato visual, sem
simpatia, com pressa, distraído com outras atividades ou com companheiros, com
informações incompletas, sem objetividade nem iniciativa pessoal, despreparados
para tomar decisões, indiferentes, sem priorizar a atenção para idosos,
gestantes ou pessoas com dificuldade motora, que privilegiam os familiares e
amigos etc.
Especificamente sobre os funcionários
públicos, as críticas se referem a que não se esforçam porque possuem um
contrato de trabalho fixo e que não têm preocupação em ficar desempregados.
Os cristãos que desenvolvem algum
ministério dentro da Igreja também precisam ficar atentos para que não acabem
se transformando em “funcionários do sagrado”, desenvolvendo a missão que
receberam de Cristo e da Igreja com as mesmas atitudes daqueles funcionários
públicos displicentes.
Os ministros da Igreja devem ser expertos em humanismo, sabendo tratar as
pessoas da melhor maneira possível, como o próprio Cristo as trataria; ou
melhor, tratá-las como o fariam com o próprio Cristo.
É claro que cada pessoa tem o seu próprio
caráter, o seu temperamento. Mas é preciso que cada ministro da Igreja tenha um
compromisso pessoal com a amabilidade, com os bons modos, com o respeito,
desenvolvendo o seu ministério com amor e dedicação.
Quando se sinta cansado, doente,
estressado, com problemas pessoais, o ideal seria se afastar momentaneamente a
fim de solucionar as suas dificuldades e, então, retornar ao exercício do seu
ministério com alegria e entusiasmo.
O irmão mais velho da parábola do filho pródigo tinha uma relação formal e fria
com o pai, apesar de estar sempre na companhia dele. Jesus não quis se
relacionar com os seus discípulos como um Mestre com os seus servos. Ele lhes
tratava como amigos. Assim também devemos nos tratar uns aos outros.
Que Deus livre os nossos ministros leigos e ordenados de se transformarem em
“funcionários do sagrado”.
A estrutura da Eucaristia, desde os ritos
iniciais até a despedida e o envio, está completamente fundamentada na Bíblia.
A inspiração e as mensagens principais das
Sagradas Escrituras estão presentes na Eucaristia. Cada momento litúrgico da
Eucaristia tem seu fundamento na experiência judaica do Primeiro
Testamento ou na experiência dos apóstolos ou das primeiras comunidades cristãs
do Segundo Testamento.
Merece destaque a Liturgia da Palavra, pela
qual os principais textos das Sagradas Escrituras são lidos e meditados nos
ciclos semanais, dominicais e festivos.
Os principais gestos litúrgicos e
aclamações durante a Eucaristia - como também grande número de cantos
litúrgicos - são inspirados nas mensagens bíblicas.
A Liturgia Eucarística está estruturada a
partir da Páscoa dos judeus por Moisés e da Páscoa dos cristãos por Jesus,
transmitida pelos apóstolos.
A própria compreensão e vivência plenas do
mistério eucarístico só é possível graças à leitura e meditação das Sagradas
Escrituras. Assim, pelo que vimos, existe uma
profunda relação entre a Bíblia e a Eucaristia.
É verdade que o cristão tem o compromisso
de ler, meditar e colocar em prática a Palavra de Deus durante os 365 dias do
ano, todos os 12 meses e as 24 horas do dia. Mas também é verdade que
muitíssimos cristãos não colocam em prática esse compromisso.
Pensando nisso, podemos aproveitar o mês de
setembro - sugerido pela Igreja Católica - para praticar esse compromisso na
vida pessoal e familiar e também na comunidade, pastoral e movimento que
participamos.
Em primeiro lugar, é preciso ter uma Bíblia
- uma boa Bíblia: com uma linguagem compreensível para os dias atuais, com
introdução aos livros sagrados e notas de rodapé que dão a interpretação
correta dos versículos e palavras (conforme a Tradição da Igreja), com mapas,
com referências e textos relacionados. É verdade que existem excelentes versões
digitais da Bíblia gratuitas e disponíveis na Internet. Mas nada substitui a
Bíblia impressa.
A Igreja, com os seus dois mil anos de
sabedoria, propõe a todos os católicos em todo o mundo as leituras para cada
dia. Convém lê-las, meditá-las, primeiro de modo pessoal, depois em família
(esposa com esposo, pais com filhos, avôs com netos) e, finalmente, com a
comunidade dos fiéis, durante a Eucaristia diária, com a colaboração da homilia
(reflexão) oferecida pelo sacerdote.
Graças aos meios de comunicação com
inspiração católica (canais de rádio e televisão, revistas, páginas de Internet
e aplicativos para dispositivos móveis), é possível fazer a meditação das
leituras diárias propostas pela Igreja. É bom conhecer e divulgar a Lectio
Divina (Leitura Orante da Bíblia), que é a metodologia oficial indicada pela
Igreja. Consiste em quatro passos, que iniciam depois
da invocação ao Espírito Santo: Leitura, Meditação, Oração e Contemplação. Pode
ser realizada individualmente mas também em família e em comunidade.
Seria muito útil durante este Mês da Bíblia
realizar e participar de círculos bíblicos realizados nas casas das famílias da
comunidade, da pastoral ou do movimento. Com a ajuda de bons materiais e de um
assessor (teólogo, biblista), podem ser realizados estudos bíblicos,
dedicando-se a um livro de cada vez.
Poderia haver sorteios das Sagradas
Escrituras nas Eucaristias dominicais, nos encontros de Catequese. Poderia ser
lido o Evangelho de cada dia antes do início das aulas, das atividades
laborais, em diferentes ambientes e grupos sociais. Poderiam ser produzidos e
distribuídos versículos bíblicos e marcadores de Bíblia para os fiéis, nas
casas e apartamentos etc. Poderia ser dada maior solenidade ao Lecionário
(livro que contém os textos bíblicos proclamados durante a Eucaristia) nos
domingos, através de procissões, o uso do incenso etc.